Em Chapada, verdadeira renovação é desprezada descaradamente, o quadro eleitoral é terrível

Por: Paulo Bomfim

Com uma eleição no meio de pandemia e com 45 dias de campanha, processo que pouco favorece o eleitor na escolha racional por candidaturas estruturadas por projetos de Políticas Públicas, teremos em 2020 processo eleitoral esquizofrênico que, muitas vezes, favorece sempre o menos.

Os menos, representados por candidaturas legítimas, mas inconsequentes, desestruturadas, sem conteúdo político ou técnico e com candidatos inexperientes, alguns quase indecentes, e sem ao menos terem qualquer conhecimento sobre o cenário em que irão atuar na administração pública municipal.

Trazem, salvo raríssimas exceções, candidaturas de muito apelo populista e zero, ou quase nada, de propostas sérias e com possibilidades de que possam ser efetivadas, estabelecendo o conceito do “voto no menos pior”, o que fragiliza a nossa Democracia.

Como desgraça pouca é bobagem e, para descer e  piorar a situação serve rezar para qualquer santo, este processo eleitoral esquizofrênico favorece, também, as desestruturadas e aventureiras  candidaturas dos oportunistas de muita “papo na goela” e bagagem vazia, onde ganha -se impulso, nesta Era, o estilo de campanha em que melhor do que falar sobre as suas qualidades, é sempre melhor chamar a atenção e falar sobre os defeitos dos outros.

Com uma Democracia frágil e incipiente, recheada por muitos partidos políticos – 35 plenamente oficializados e 5 em constituição – e com as variadas questões culturais e elementares da população brasileira, e por consequência da própria sociedade de Chapada, nascidos na cidade ou não, vejo com muita apreensão e olhar entristecido o que está acontecendo no processo político de sucessão municipal.

Infelizmente, tenho que fazer o reconhecimento de que este modelo da campanha política imperante em nosso país, independente da ideologia partidária, se transformou no combustível para a prática dos mais devassos atos de corrupção na máquina pública.

Processo eleitoral não é fazer política.

Fazer política é gerar movimentos em favor da coletividade, é pensar e contribuir com ideias, trocas de experiências e participações constantes em grupos sociais, fomentando e dando organicidade às correntes do pensamento, não necessariamente em agrupamentos de partidos políticos. A Constituição Federal em seu artigo 5º assim o permite.

Político/a, não é profissão.

A atual prefeita Thelma de Oliveira, chefe maior de uma gestão temerária, abalada e desgastada, auto declarada doente  e desde meados de 2019 não dando expediente na prefeitura, enferma de câncer na mama, recusando-se, sistematicamente, a passar o cargo para seu vice, Osmar Froner e submetida aos ditames partidários do PSDB, foi empurrada para a campanha de reeleição com uma candidatura imposta a todo o custo e qualquer preço, com a  finalidade desesperada de manutenção e preservação dos interesses comerciais e empresariais, de amigos e seus correligionários políticos. Com o orçamento público em cerca de 70 milhões, para o corrente ano de 2020, são valores em torno 15 milhões/ano, em contratos mantidos pela prefeitura.

Com contas de gestão dos anos 2017 e 2018 reprovadas pelo TCE -MT com inúmeras irregularidades, conceituadas como GRAVISSÍMAS pelos técnicos da Secretaria de Controle Externo – SECEX e recorrendo a golpes, de recursos esdrúxulos, com mentiras junto ao TCE e judiciário para impedir a Câmara de Vereadores de julgar e as contas de 2019 indo pelo mesmo caminho da reprovação, a prefeita Thelma de Oliveira – PSDB não demonstra o menor arrependimento e age como a cidade de Chapada fosse a cidade melhor administrada do Mato Grosso. Delegou tudo a um procurador e ao secretário de administração de duvidosas qualificações.

Com as 8 candidaturas ao cargo de Prefeito/a, homologadas em respectivas convenções partidárias, concorrendo a prefeitura de Chapada dos Guimarães com quase todas, destas candidaturas de meros vigaristas, sendo inconsistentes e envolvendo interesses umbilicais e inconfessáveis. Candidaturas sem verdadeiros compromissos com a verdade e para com a sociedade, fragmentando e dissolvendo-se o interesse de muitos, pela discussão política no município.

A verdadeira renovação é desprezada descaradamente. O quadro é terrível.

Vislumbram-se tempos difíceis considerando-se que o futuro prefeito/a terá que, pela frente, encarar e tratar com dívidas estimadas da ordem de 30 milhões de Reais, com necessidades de negociações duras, que devem serem pautadas pela intransigência na defesa dos bons valores no trato com dinheiro público na prefeitura de Chapada. Porém como diria um velho Líder trabalhista, “há de se combater as más ações, mas sem perder a fidalguia”.

Dívida herdada desta gestão que em seu último ano de governo – e observa-se que já estamos em setembro, ainda não enviou à Câmara Municipal a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e a Lei do Orçamento – LOA, para o ano de 2021 corre-se o risco de, por completa incompetência desta atual gestão, o próximo governo ter de repetir o orçamento de 2020.

O quadro é lastimável. Esta é a realidade!!!

Na análise inicial deste processo eleitoral, uma das candidatura que nos pede e merece um olhar mais apurado; é o partido / processo eleitoral / Fé / religião / igreja / com o voto. Não se deve tentar misturar religião com política e, muito menos com processo eleitoral. A religiosidade é uma realidade intrínseca ao Ser Humano.

É imperioso o respeito a Fé, independente da religião professada.

Esta mistura de Fé com voto tornou-se indigesta. Exploração da Fé para se obter o voto dos eleitores evangélicos, é repugnante. Exemplos, principalmente nos últimos tempos, estão espalhados por todo o Brasil de como esta combinação é trágica. Política e processo eleitoral é do mundo dos homens, simples mortais. A Fé é da esfera Divina e imantada por conceitos, que fogem a compreensão humana.

A nossa Chapada dos Guimarães não está fugindo a regra ao tentar promover-se e misturar partido /processo eleitoral / Fé / religião / igreja / com o voto. O Partido Progressista- PP, lançou o nome da vereadora evangélica Michele Weber, mais conhecida como Michele do Banco, como candidata a prefeita e como vice trouxe o pastor Erlindo, do Partido Social Cristão – PSC. Candidaturas de líderes religiosos insurgem-se no processo eleitoral, na tentativa de utilizar, sem a menor desfaçatez, a religião como sustentáculos de candidatura cínica de oposição, a atual gestão.

É a tentativa de enganar a população, posando de oposicionista e dizendo-se “nova na política” e ficha limpa quando, na verdade, sempre esteve ao lado desta atual gestão, lastimável e catastrófica do PSDB, “ tendo sentando-se na mesma mesa, lambuzando-se nas comilanças, desfrutando dos festejos e bebendo a água do mesmo pote”, durante 3 anos a meio. Agora é oposição. Haja estômago.

O povo do Rio de Janeiro está arrependido, mas sofrendo muito, no dia a dia, hoje com o resultado da mistura deplorável de partido/processo eleitoral/Fé/religião/igreja/voto. É um desastre.

Agora, diga-se de passagem, a sra. Michelle, também, está amparada por estruturas políticas altamente comprometidas com o que há de pior na política do Estado do Mato Grosso e do Brasil. Conta com o apoiamento do ex-Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa e deputado federal, Neri Geller – PP que, quase teve o mandato cassado por prática de Abuso de Poder Econômico na campanha de 2018 sendo, também, preso logo após, em novembro, pela Polícia Federal em um desdobramento da Operação Lava Jato, denominada Operação Capitu, sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no ministério, em 2014 e 2015.

A Polícia Federal, também, apurou a atuação de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e no Ministério em Brasília, integrada por empresários e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal. Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do Mapa e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado.

A outra estrutura comprometida com a candidatura da sra. Michelle é o deputado estadual, Sr. Ondanir Bortolini, o Nininho – PSD, já condenado por Improbidade Administrativa pelo juízo da 1º Vara Federal de Rondonópolis,  durante a execução de convenio firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes –  DNIT e o município de Itiquira  e respondendo a outros processos, por atos ilegais, tendo a juíza federal substituta Karen Regina Okubara, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – subseção de Rondonópolis, recebido denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o deputado estadual por desvio de bens ou rendas públicas na construção de uma escola, atos realizados quando exercia o mandato de prefeito no município de Itiquira.

E para fechar o leque de apoios a sra. Vereadora Michele do banco, apresenta o ex-governador Blairo Maggi, sócio majoritário do controverso empreendimento localizado no Lago do Manso, Malai Manso Hotel Resort S/A., e que briga na justiça de Chapada, contra o município, para não recolher aos cofres públicos municipais valores referentes aos recolhimentos devidos do imposto ISSQN, mantendo a gozação de Programa de Desenvolvimento  – Incentivo Fiscais, concedida pela Lei Municipal nº 54, de 03/07/2012, com a isenção de impostos durante 10 anos, regulamentada pelo Decreto nº 080 de 27/11/2012.

Outro caso controverso envolvendo o ex-governador é que na 5ª fase da Operação Ararath, que revelou esquema de corrupção envolvendo políticos, empresários, empresas, poderes e bancos, o ex-governador Blairo Maggi – PP, ele se tornou réu na ação que investiga suposta compra de vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso – TCE/MT, pelo acatamento da denúncia feita pela Procuradora-geral da República, pelo acatada pelo juiz da 5ª Vara Federal, Jeferson Schneider. A denúncia é baseada na delação premiada do, também, ex-governador Silval Barbosa, que teria confirmado o suposto esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado – TCE, com aval do então governador Blairo Maggi em 2009.

Não podemos esquecer que durante mandato de governador o Blairo Maggi sinalizou, informalmente mas, positivamente, para a continuidade de estudos, na Assembleia Legislativa do Estado, de Projeto com proposta de desmembramento de todo o entorno do Lago do Manso de Chapada dos Guimarães, para a criação de novo município, que viria a ser chamado de Município de Chapada dos Ventos e/ou Município de Bom Jardim, tendo a Associação dos Municípios de Mato Grosso – AMM, realizado alguns encontros públicos psrs avaliação do tema.

O “jogo” das Emendas Parlamentares, todos sabem como funciona. É um “jogo” de cartas marcadas, onde os recursos somente chegam para a prefeitura se os projetos forem direcionados para às empresas indicadas pelos deputados, vencerem as licitações. É preciso seriedade para pleitear o cargo de prefeita da cidade. Será que a sra. Michelle do banco esmerou-se, “aprendendo os caminhos”, “tudo direitinho”, com os padrinhos e seus currículos de tantas experiências?

Com certeza, talvez, contudo, todavia e, entretanto, como os ilustres leitores podem observar será melhor, para a cidade de Chapada dos Guimarães, não acreditar no “conto do vigário” e “não pagar para ver”!

A fragilização do sistema eleitoral na cidade é aterrorizante com candidaturas inexpressivas em “partidos estranhamente engavetados”, guardados a “sete chaves”, sem qualquer organicidade e de caráter meramente mercenário.

Sob esta ótica, entende-se o que ocorre em Chapada dos Guimarães.

A Regra é não haver regra!

Torna-se premente e necessária pensar-se na implementação de uma Política Macro, uma Política Pública Perene de caráter desenvolvimentista para interromper a ação deste “gargalo” e “engessamento” da Administração Municipal, que impedem a alavancagem e estruturação da Cidade.

Neste modelo de Sociedade onde a Ética, estando sempre atrelada a figura do Observador, sendo elástica, variável, e inconstante, obedecendo aos ditames dos interesses de momento de determinados agrupamentos, não sobra nunca espaço para reflexões e de libertação dos grilhões do comportamento corrupto e arcaico.

De outra forma, esta sociedade estará sempre relativizando os Conceitos Éticos, de acordo com os interesses pessoais ou corporativos de seus Membros; componentes sociais, bem como dos Agentes Públicos que venham a proferir determinado Ato ou Ação.

No próximo artigo abordaremos os aspectos objetivos do enfrentamento direto a estas anomalias.

Chapada precisa de soluções de construções e não de apontar culpados, temos que evitar o pior.

O nosso município não poderá passar de uma gestão onde ocorreu a inércia, em muitas áreas, e em outras grosseiros desvios e péssimas condutas, com malversação no tratamento com os recursos públicos, para uma gestão de “espertos ou espertas” e suas aventureiras soluções,  tendo como modelo e marcas registradas a truculência, discriminações e preconceitos diversos, com sentimentos de supostas “superioridades”, com relação ao respeito as pessoas, componentes sociais e, em especial, com o desprezo aos servidores públicos e aos serviços que prestam à população. A prefeitura de Chapada não pode se tornar laboratório para estes tipos de personalidades hipócritas doentias e desagregadoras.

Enquanto teço estas linhas singelas, o Vale do Jamacá, grande reserva ecológica de Chapada dos Guimarães arde em chamas e está atual gestão municipal ignora solenemente e não se manifesta!

Os candidatos/as serão:

A) Os empresários Antônio Paulo da Silva, chamado de “Paulinho Kero Mais”, pelo Partido Social Liberal – PSL e Sidnei Varanis como vice, em chapa pura, mas em coligação com o partido Democrata Cristão – DC e Rede Solidariedade, tendo 17 nomes para disputar candidatura de Vereadores/as;

B) Pelo Partido Verde – PV o gestor ambiental Luís Eduardo Gomes de Souza, o “Luisão”, como candidato ao cargo de prefeito e como vice, a presidente da sigla Odette Trechaud, em chapa pura, mas sem coligação e não há indicações de nomes candidatos/as a vereadores/as;

C) Gilberto Melo é o candidato do Partido Liberal  – PL – o antigo Partido da República – PR – ao pleito de prefeito e como vice, Carlos Eduardo, do Partido Democrático Trabalhista – PDT, tendo formado a coligação nomeada de Chapada de Toda Gente”, com o Partido MDB, com o Partido Social Brasileiro – PSB e Partido Trabalhista Brasileiro  – PTB, tendo 60 nomes de candidatos/as a vereador/a;

D) Como candidato o Partido dos Democratas – DEM, tem o empresário Ricardo Sarmento homologado e como vice outro empresário, o Benedito Ribeiro, conhecido como Didi da Pousada, chapa puríssima e, também, não se coligará com nenhum partido, e ainda estão indefinidos os nomes e possível número de candidatos/as a vereadores/as;

E) Pelo Partido Patriota, o empresário Oswaldo Murad é o candidato a prefeito e terá como vice a esportista Jane de Jesus e chapa pura e, não se tem noticiais de candidatos/as a vereador/a;

F) A atual prefeita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira – PSDB, vai concorrer à reeleição, e como o vice suplente de vereador rodrigo Moreira – PSDB, em chapa pura e não vai se coligar com nenhuma sigla partidária e ainda não divulgados os nomes e possível número de candidatos/as a vereadores/as;

G) Pelo partido Progressista – PP, a vereadora Michele Weber, mais conhecida como Michele do Banco, como candidata a prefeita e como vice traz o pastor Erlindo, do Partido Social Cristão – PSC, e não se tem noticiais de candidatos/as a vereador/a;

H)  Dois irmãos, irmanados empresários, Srs. Jackson de Moraes como candidato a prefeito e Adalberto de Moraes vice, pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB, e não se tem noticiais de candidatos/as a vereador/a;

 

Paulo Bomfim

Cidadão e eleitor de Chapada dos Guimarães